23 ANOS DE ÍMPETOS E PULSAÇÕES

Restrita apenas a amigos e convidados, a pré-estreia foi ontem, dia 11/5. Agora aberta ao grande público, a temporada de A CORDA começa hoje no Centro Cultural Banco do Brasil, em Belo Horizonte. É onde vai permanecer em cartaz até o próximo domingo, dia 14/5, sempre a partir das 19 horas. É o 18º espetáculo do Grupo Trampulim, núcleo de palhaços que este ano completa 23 anos de estrada. Mais de duas décadas de valentias! Veja aqui: http://www.trampulim.com.br/blog/

ACORDA Crédito Bruno Vinelli (33)

Dirigido por Paula Manata e coordenação de dramaturgia de Assis Benevenuto, A CORDA aborda relações entre espaço e tempo. Em casa, quatro palhaços organizam seus mundos e encaram os múltiplos alcances que uma casa pode abrigar: o lar, a rotina, a segurança, o confinamento, a vulnerabilidade. Neste espaço de pausa, eles vivem uma sequência irreversível de eventos e significados. Deparam com novas extensões do medo, de delírio entre sono e vigília e percebem que a vida lhes escapa ao controle.

Ficha Técnica do Espetáculo:

Concepção: Adriana Morales, Tiago Mafra, Poliana Tuchia, Chaya Vazquez e Paula Manata. Direção: Paula Manata. Assistente de direção: Rafael Protzner. Dramaturgia: Assis Benevenuto e Adriana Morales. Elenco: Adriana Morales (Benedita Jacarandá), Chaya Vazquez (Conselhos), Poliana Tuchia (Socorro) e Tiago Mafra (Sabonete). Cenário e Projeto Gráfico: Jônatas Milagres Campos. Direção Musical e Trilha Sonora: Rafael Macedo. Figurinos: Roberta Mesquita. Consultoria de estilo (figurino Conselhos): Júnia Melilo. Iluminação: Flávia Mafra. Produção: Isabela Leite. Comunicação: Poliana Tuchia. Estagiária: Polyane Santos. Assessoria de Imprensa: Doizum Comunicações.  Realização: Grupo Trampulim. Duração: 50 minutos. Classificação indicativa: 12 anos

SERVIÇO:

Em cartaz no Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil/CCBB (Praça da Liberdade, 450, Funcionários, Belo Horizonte/MG).  Sexta, sábado e domingo, às 19 horas. De 12 a 14 de maio de 2017. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Venda de ingressos na bilheteria do local ou pelo site www.eventim.com.br

Abaixo, o Trampulim conta ao Blog da Cena sobre sua história de ímpetos e pulsações!!

Esta é uma história de palhaços, são 23 anos de grupo Trampulim. Tudo começou com a dupla Tramp e Polino. Aí, Polino virou Pulim, os nomes se somaram (Tramp + Pulim) e o grupo estava batizado. Os dois sabiam que deveriam saltar muito nessa vida. Por isso, convidaram um tanto de artistas, amigos talentosos e pessoas que sabiam saltar e já tinham o que “O Circo”, o primeiro espetáculo do grupo, precisa(va) ter: corpos de atleta e caras de pau.

Os que aceitaram o convite foram fundamentais, trouxeram cimento, cola, suor, corpo, cor e brilho. Muita gente entrou, saiu, chegou, passou, foi e ficou! Muitas idas e vindas. Gente a perder de conta, mas não da memória! Contar tudo daria um livro.

Tramp e Pulim, também conhecidos como Inimá Santos Júnior e Rogério Sette Camara, queriam porque queriam uma sede pro grupo. Apoiados pela palhaça Maroca, também chamada Paula Manata, perceberam que a sede poderia ser uma escola, onde pudessem ensinar e aprender circo. Nasceu assim a Spasso-Escola Popular de Circo. Lugar que deu rumo a muitas vidas, que transformou a história circense em Belo Horizonte.

Foi lá onde começamos a aprender a jogar. E o jogo é fundamental para o palhaço que praticamos. É o jogo do corpo, da cena, da improvisação, do status. O jogo do palhaço. A busca da diversão e da brincadeira, das regras e do rigor. Este jogo é vivo, pulsante e inesgotável.

ACORDA Crédito Bruno Vinelli (62)

O tempo passou e a Spasso já não era mais a sede do Trampulim, mas nunca deixou de ser a nossa casa. A formação do grupo também já não era mais a mesma: Tramp e Pulim já estavam mais Juninho e Rogério, os responsáveis pela primeira escola de circo de BH. Enquanto a Trampulim se tornava a primeira companhia de técnicas aéreas de Belo Horizonte com o espetáculo OraProCircus.

Tiago Mafra e Adriana Morales chegaram ao Trampulim em OraProCircus. Tiago voltava de uma viagem astral pela Índia e despencou (de maiô) num ensaio do grupo. Odiou o figurino, mas ‘transcendeu’. Adriana diplomou-se em Jornalismo, mas não abraçou a profissão. E foi procurar as aulas de aéreas de Roberta Manata e Luciana Menin, que também passaram pelo Trampulim. Já Poliana Tuchia jogava capoeira, levava uma vida pacata em Macacos, onde hospedou o carioca Geraldim Miranda, futuro diretor do OraProCircus.

Para situar tempo e pessoas: em 1994, quando o Trumpulim começava, Adriana Morales treinava incessantemente a coreografia de “FlashDance”, na sala de casa; Tiago Mafra e Poliana Tuchia ainda não se conheciam, mas assistiam Dirty Dancing na Sessão da Tarde. E Isabela Leite fugia de casa, levando uma calcinha sobressalente na mochilinha laranja. Já era muito responsável, apesar de ter apenas sete anos.

Podemos continuar? Durante seis anos, o Ora circulou até. Viajou inúmeros quilômetros, subiu e desceu estrutura, ajustou parafusos, carregou quilos e mais quilos de ferro.

Pela ordem de criação, depois veio A Ponte. O espetáculo foi remontado três vezes. Três é o tempo ideal do palhaço. Porém, a primeira estreia foi um fracasso e o fracasso é o ouro do palhaço.  Seus personagens são moradores de rua – e o palhaço é o que?

Depois disso, Adriana e Tiago montam Uma Surpresa para Benedita, primeiro aventura da dupla. O que é  o maior sucesso do grupo completa 14 anos de estrada agora em 2017.

O espetáculo ganhou o mundo quando Tiago e Adriana decidiram ir a Toronto, Canadá. Foram fazer um curso com Sue Morrison, mestra essencial e referencial da nossa forma de enxergar o palhaço como agente transformador. A dupla retornou a BH com um novo olhar para o jogo do palhaço e importantes descobertas sobre a improvisação.

Na volta, uma surpresa! Sem sede, sem lenço e sem documento, o grupo se dividiu em dois.  Devagar, o Trampulim foi renascendo das cinzas,  aprendendo dia a dia que boa dose de força e de caos são essenciais a qualquer reconstrução. Descobrindo que trabalhos corporativos podem salvar um grupo, sem perder excelência artística. E que a música reforça os laços entre pessoas, é uma energia agregadora e transformadora. Assim nasceu Pratubatê.

ACORDA Crédito Bruno Vinelli(84).

Noutro ÍMPETO de sobrevivência, nasceu a Invasão Mundial de Palhaços E Todos os Outros. Um festival inédito em BH, disposto a fortalecer a cena circense mineira e formar, capacitar e aperfeiçoar artistas. De cara, trouxe a oficina “O Clown Através da Máscara”, de Sue Morrison, oportunidade para palhaços locais experimentarem um novo olhar sobre seu ofício, sobre o estado do palhaço.

Poliana aproveitou para experimentar também: propôs que seu TCC de bacharel em Artes Cênicas, na UFMG, fosse um novo espetáculo do Trampulim. O grupo ainda não tinha sede. E Poliana queria usar a estrutura da Ponte. Uma estrutura linda, que girava igual roda gigante, por isso precisava de um galpão também gigante para ser montada. Aí o E.T. – Espaço Trampulim, desceu da nave e se materializou no bairro Jardim América.

Batizado como “Labirinto”, o TCC foi julgado por uma banca que dava frio na barriga: Rita Gusmão, Fernando Mencarelli e Mônica Medeiros. Mas ganhou 100!!!!!!! Pena, o espetáculo nunca alavancou.

Pulando fatos e aumentando outros, “Manotas Musicais” nasceu meio elefante branco: daqueles trabalhos grandes, de montagem difícil e transporte caro, que empacam no depósito.  Mas o Trampulim é valente, persistente e aprendeu a grande sabedoria da adaptação com tantas mudanças e dificuldades. Para surpresa de todos, “Manotas” chega aos palcos dos principais festivais mineiros, se torna o carro-chefe do grupo.

Depois dos palcos mineiros, era hora de nos lançarmos Brasil afora e precisávamos de uma produtora muito responsável. Aí lembramos que a menina da mochilinha laranja já devia ter crescido, era a pessoa ideal! Isabela Leite!

Por falar em parceiro, sob o teto do Gonguê – sede do Trampulim, da banda  Elefante Groove e do Maracatu Trovão das Minas -, Poliana Tuchia veio substituir uma atriz que estava grávida, em “Cordão do Riso”. Poliana se confunde. Não lembra se era Roberta Manata, Tana Guimarães ou Adriana Morales.

ACORDA Crédito Bruno Vinelli (118)

Anos antes, um encontro especial aconteceu  em São João Del Rei: Lenis Rino entrou na história do grupo. Trazia  um tesouro consigo, o Maracatu.

Socorro e Conselhos nasceram em Diamantina, pelas mãos do Doutor Escrich. Na estreia de “Manotas Musicais”, Adriana Morales liga para Rafael Protzner e é Alfinete, um palhaço cabeçudo, um substituto insubstituível, quem dá as boas vindas e logo vira “da família”. Começa a ‘parição’ no Trampulim: devidamente aconselhada, Milagros deu luz à Maia.

Marcos Henrique já tinha entrado nesta história, mas estava escondido nos bastidores, apertando parafusos. É o nosso cenotécnico oficial.

E Maria Carolina Campos, atual assessora jurídica do grupo, finalmente se aproxima. Não chegou antes porque morria de medo de Benedita Jacarandá! Acredita?

E para quem ainda não sabe, nestes 23 anos de existência o Trampulim já criou 18 espetáculos, mantém cinco em repertório e diversas oficinas de formação. Conquistou prêmios expressivos nas áreas de circo, teatro de rua e artes cênicas. Realizou duas edições do festival ÍMPETO – Invasão Mundial de Palhaços e Todos os Outros. Já se apresentou no Canadá e em Portugal. Em 2016, participou do projeto de circulação Nacional Palco Giratório, realizado pelo SESC Nacional: cumpriu 37 apresentações em 31 cidades de 11 estados brasileiros. Junto com a apresentação de A Ponte, no Festival de Curitiba, foi o que realizou de mais de mais notável em sua já vasta circulação nacional pelo país.

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